Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ANTÔNIO CARLOS JOBIM│ Premonição, coincidência ou plágio...?
- CARLOS ANGLADA │ odeon14360

- há 6 dias
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Atualizado: há 1 dia
► Existem histórias que o tempo não apaga....
Pelo contrário.
Com o passar dos años, elas ganham novas camadas, novos significados e, às vezes, tornam-se ainda mais intrigantes.
Ajustem os relógios do DeLorean para Junho de 1998.
Hoje, convido vocês a embarcar comigo em uma viagem no tempo rumo ao Rio de Janeiro daquele año, quando uma simples ideia, anotada num caderno durante uma espera no Aeroporto do Galeão, acabaria dando origem a uma das histórias mais surpreendentes da trajetória do BOSSANOVA CLUBE.
Uma história que, ainda hoje, desafia qualquer explicação definitiva.

Foi naquele año de 1998, que realizei minha primeira viagem (física) ao Rio de Janeiro.
Após dias intensos de emoções, descobertas e experiências ligadas ao universo da Bossa Nova, encontrava-me com a minha família, na área Internacional do então Aeroporto do Galeão, aguardando o voo regular da Companhia Iberia, que me levaria sem escalas, de regresso para à minha cidade, Madrid.
Durante aquele tempo de espera, comecei a repassar mentalmente tudo o que havia vivido, refletindo e revivendo situações e emoções, relacionando e revisando cronologicamente minhas visitas a lugares, atividades, espetáculos, pessoas conhecidas, conversas, compras, etc.
Fui anotando detalhadamente em um caderno (hábito que mantenho até hoje) tudo o que era importante e também tudo o que estava pendente, para poder realizar no futuro.
Como eu já sabia, praticamente cada palavra anotada no caderno estava relacionada, direta ou indiretamente, com a Bossa Nova e/ou a Música do Brasil.
Acima de tudo, havia um protagonista claro, um fio condutor invisível que me guiou durante 20 dias pela cidade.
Tratava-se do músico e compositor carioca Antônio Carlos Jobim.
Sempre tive interesse em conhecer os locais físicos, reais e históricos relacionados à Bossa Nova em geral e à história do Tom Jobim em particular.
Visitei vários deles, como o Bar Garota de Ipanema, o Espaço de Tom no Jardim Botânico, Arpoador, O Clube do Tom no Leblon, o Bar Cobal em Botafogo, a Rua Nascimento Silva, 107, etc....
Tom Jobim faleceu em dezembro de 1994 e, curiosamente, após 4 años e apesar da grande relevância do músico e compositor carioca, ainda não havia uma rua, monumento, estátua, praça, parque, centro musical e/ou cultural com o seu nome.
Triste homenagem da cidade que viu nascer o homem que, até hoje, melhor contou e cantou as belezas naturais do Rio de Janeiro e/ou a filosofia da vida carioca como um todo…!

Foi justamente naquele momento que surgiu um pensamento aparentemente simples:
Por que o principal Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ainda não homenageava oficialmente Antônio Carlos Jobim...?
Afinal, poucos artistas representaram tão bem a imagem do Rio de Janeiro e do Brasil perante o mundo quanto Tom Jobim. Sua obra transformou-se em patrimônio cultural universal e canções como "Samba do Avião" estabeleceram uma ligação eterna entre a cidade, a aviação e a música brasileira.
Sem pensar duas vezes, fui direto ao Departamento de Atendimento ao Cliente do Aeroporto e, sem dar muitas pistas ou explicações sobre o assunto, pedi os dados necessários para enviar uma carta com uma proposta cultural ao órgão competente daquele aeroporto. “Infraero Setor Imprensa”, me disseram.
Uma vez em Madrid, continuava obcecado com a ideia.
Ciente da enorme burocracia brasileira e da tremenda dificuldade de minha iniciativa ter um desenlace positivo, quase desisti da tentativa.
Me animou a ideia de que (mesmo que nem sequer lessem a carta), essa seria minha homenagem particular a um dos músicos que, com suas canções, mudaram minha vida.
Tentei sintetizar a proposta com conceitos claros e diretos.
Preparei uma proposta e a encaminhei oficialmente aos organismos responsáveis pela administração aeroportuária brasileira, sugerindo que o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro passasse a chamar-se Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim.
E foi o 12 de Julho de 1998, quando fui a uma agência dos Correios na minha cidade, para certificar oficialmente a correspondência em conteúdo e continente.
Missão cumprida…!

Algumas semanas depois, ainda me lembro da minha surpresa quando abri a caixa de correio de casa e encontrei o envelope oficial.
Lá estava, milagrosamente, a resposta esperada. A carta de resposta da Infraero AIRJ. Li-a com atenção várias vezes.
Nela, agradeciam educadamente pela ideia e me comunicavam, de forma formal e administrativa, que preferiam manter o nome atual do Aeroporto Internacional do Galeão, dando a entender o quão difícil era mudar questões institucionais da noite para o dia.
A carta estava assinada pelo Sr. Gilson Campos │ Chefe da Divisão de Comunicação Social da Infraero │ Rio (RJ).
Tudo dentro da mais absoluta normalidade.
Fiquei contente com o resultado.
Eles tinham lido e respondido oficialmente à minha carta…!
Guardei as duas cartas em uma pasta como lembrança, com um certo sorriso interior, pensando: "Que ótima ideia você teve"… rsrsrs…!
O que eu jamais poderia imaginar era o que aconteceria poucos meses depois...

Passaram-se vários meses, e foi no início de 1999 que recebi a ligação do meu amigo Juan Carlos Benítez, que na época trabalhava na Companhia Iberia como mecânico de voo em rotas internacionais.
- "Oi, Carlos, você vai ficar feliz, ele me disse"...!
- "Por quê"...? Perguntei...
- "Ontem nos deram o plano de voo do mês com todos os destinos, e entre as novidades está a mudança de nome do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (RJ), que agora se chama Antônio Carlos Jobim".
- "Como"...? │ "Eu não sabia, Juan Carlos, que grande surpresa"...! Não podia ser uma piada, porque meu amigo, embora soubesse da minha paixão pela Música do Brasil, desconhecia completamente o assunto das cartas.
- "Estou muito feliz, Juan Carlos...! Obrigado pela boa notícia │ Um abraço...!
Desliguei o telefone e fiquei por um momento bastante confuso, pensando naquela notícia que meu amigo acabara de me dar.
Inesperado, estranho, ilógico e palavras desse tipo eram as que vinham em cascata à minha cabeça…

O aspecto mais curioso de toda essa história surgiu quando comparei, tempo depois, os documentos originais da minha proposta com alguns dos textos e conceitos presentes nas homenagens instaladas no próprio Aeroporto.
As semelhanças eram surpreendentes.
Frases, ideias, contextos e referências, apresentavam coincidências difíceis de ignorar.
Até a minha sugestão de colocar parte da música "Samba do Avião" em alguma placa ou monumento comemorativo no Aeroporto eles colocaram, inacreditável...
Seria apenas uma extraordinária coincidência...?
Uma intuição particularmente feliz...?
Ou minha proposta teria chegado mais longe do que eu jamais imaginei...?

Naturalmente, nunca tive acesso aos bastidores do processo nem recebi qualquer comunicação da Infraero AIRJ informando-me sobre a gestão e a concessão, como prometeram em sua carta oficial.
Por isso, ao longo de esse quase 30 años, continuo convivendo com a mesma pergunta, uma pergunta que permanece aberta até hoje:
Premonição, Coincidência ou Plágio...?
Talvez eu nunca saiba a resposta.
Mas existe uma certeza.
Agora que resido no Rio de Janeiro, quando volto de alguma viagem e ouço o Comandante dizer pelos altofalantes:
"Senhoras e senhores passageiros, dentro de alguns instantes estaremos pousando no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, Antônio Carlos Jobim"...
Volto mentalmente àquele dia de 1998, sentado na área Internacional do Galeão, observando os aviões e anotando ideias em um simples caderno.
E sorrio.
Porque, de alguma forma, aquela história acabou tendo um final mais que feliz, e sempre será parte (seja qual for) da própria história.
Salve Antônio Carlos Jobim │ Maestro Soberano.
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